quinta-feira, agosto 23, 2007

"A gente sempre tende a achar que o que vive e o que sofre agora é maior do que tudo que viveu e sofreu anteriormente, por isso me acho no direito de dizer que acho mesmo que você me faz passar pela coisa mais dolorosa da vida.
Só que ainda assim me pego lembrando do teu cheiro e de como você amarra os cabelos. De como parava, nu, e me olhava. Das mordidas.
De todas as suposições. De tudo que poderia ter sido e não foi.
Do sofá, do colo, do cafuné, do brigadeiro. Das falas silenciosas.
Das promessas ridículas, subentendidas.
- vai sentir saudade?
Ah, eu sinto mais que isso, sinto tanto que nem sei quanto. Dói fundo, dói latente, ritmado, constante. De uma dor Buarquiana.
E penso, como queria ter te abraçado mais forte, ter dito no teu ouvido o que escondo até de mim mesma. De ter tido coragem pra viver uma grande amor efêmero e exposto. De ser leve.
Como queria mais noites intermináveis, e tempo parado.
O cheiro do teu suor misturado com cerveja, vinho, filme, paixão.
Porque assim, leve, solto, te quero.
Pra sempre, até amanhã, até pra sempre, mesmo que calado, mesmo que nunca te diga."

quinta-feira, agosto 02, 2007

"Que coisas são essas que me dizes sem dizer, escondidas atrás do que realmente quer dizer? Tenho me confundido na tentativa de te decifrar, todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho, minha única certeza é que de cada vez aumenta ainda mais minha necessidade de ti. Torna-se desesperada, urgente. Eu já não sei o que faço. Não sinto nenhuma alegria além de ti. Como pude cair assim nesse fundo poço? Quando foi que me desequilibrei? Não quero me afogar: Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara."

Caio F.

segunda-feira, julho 16, 2007

Natureza Viva

(...) Mas dirás assim, por exemplo, como você sabe, sim como você sabe, a gente, as pessoas, infelizmente têm, temos, essa coisa, emoções, mas te deténs, infelizmente? o outro talvez perguntaria por que infelizmente? então dirás rápido, para não desviar-te demasiado do que estabeleceste, qualquer coisa como seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente, insistirás, infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções. Meditarias: as pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem há o que são e nem sempre se mostra. Há os níveis-não-formulados, camadas imperceptíveis, fantasias que nem sempre controlamos, expectativas que quase nunca se cumprem, e sobretudo emoções. Que nem se mostra.
(...)
Só não saberás nunca que neste exato momento tens a beleza insuportável da coisa inteiramente viva. Como um trapezista que só repara na ausência da rede após o salto lançado (...)"


Caio Fernando Abreu
In: Morangos Mofados

terça-feira, maio 15, 2007

Trampolim

Você não sofre porque não sente o que eu sinto
Há um iceberg em você que eu tenho que derreter
Que tipo de piscina terá embaixo desse trampolim?
Que pulo que eu vou ter que dar pra não me ferir?

Porque acordar sem você é ficar cego no amanhecer
É assistir o fim do mundo, depois escurecer
E eu no meio disso tudo sem saber
Que já estamos no início do que vamos ser

Hoje eu não acordei
Hoje eu não vou dormir
Hoje eu nunca te dei
Hoje eu quero partir



* Moska.

domingo, maio 13, 2007

Desencanto

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca

- Eu faço versos como quem morre




* Bandeira.

quarta-feira, maio 09, 2007

"Sinto ciúmes desse cigarro que você fuma tão distraidamente"

Ana C.

sexta-feira, março 30, 2007

. . .

"às vezes me pergunto onde foi que exatamente tudo se perdeu? onde nos perdemos? as brincadeiras, os sorrisos, a sinceridade, foi parar onde? arrisco dizer que éramos cúmplices, complementares mesmo, sabe? Talvez daqueles casais que jamais virariam casais, mas um casal onde existia um amor implícito, do tipo maior do mundo. é aquilo que a clarice dizia sobre "nao estarem distraídos", entende? não precisava de nome, nunca precisou... o que existia era tão sufuciente.
tem lembranças? da cintura, do enlaçar dos teus cabelos aos meus, do suor e gestos que só fazem parte da gente? e mais que isso, saudade e lembrança do que a gente já foi um dia, quando a gente não era um? falo de uma amizade tão bonita que morreu. dos papos sem pé nem cabeça, da troca de impressões e experiências. dos conselhos tortos. das gargalhadas e uma intelecualidade forçada.
mas e aí, cara? se perdeu onde? me explica porque eu preciso saber. preciso saber o que foi pra você, o que significou. se te fazia ficar com as pernas bambas como eu, se te fazia suar frio.
me sentia bestificada. sem pudor, sem vergonha, às vezes sem dignidade. nos braços que nunca foram realmente meus. foi meu em algum momento? nada mais pode me fazer mal. pode dizer a verdade, não vai doer mais do que já dói.
você veio e bateu na minha porta... se não era nada pra vc, por que fez isso? pegou na minha mão e me deixou acreditar que podia dar certo. dorme bem sabendo disso? você é pequeno, cara.
sabe de uma coisa? foda-se você. foda-se o nós que nunca existiu. vou lá embaixo tomar uma cerveja e fumar um cigarro e amanhã, de você só vai restar a lembrança de uma ressaca inútil. "