quinta-feira, maio 04, 2006

Ela não era indiferente. Por vezes soava indiferente, estática, mas dentro de si, havia um turbilhão de pensamentos. Daquelas pessoas que somente na presença de si, sem testemunhas, era ela.

Pensamentos que se atropelavam, se afogavam, ressurgiam. Pensamentos infudados, alguns lógicos, outros descompromissados. Só pensamentos.

E ela se escondia. Se escondia não por medo do outro, e sim, por medo dela; medo do desconhecido, medo da outra face, medo do outro lado. E se apavorava ... se encolhia e recolhia em pensamentos.

Tinha vontade de se mostrar ao mundo, e até tinha coragem; mas não tinha a força necessária. A força que possuia era toda consumida por estes desejos não ditos e escritos nunca revelados. Ela vestia o véu e seguia. Cheia de enigmas, não olhava pra fora.

Ela tinha medo do seu lado colorido, sua vida mexicana. E se ela se encontrasse no drama latino? Era demais se entregar ao clichê e aceitar que a vida de todo mundo é um grande folhetim batido.

Ela se agarra certo, não se deixa levar pelo acaso; não enfrentou riscos. Teme a loucura. Ela tinha medo de ser feliz pra sempre - sim, medo da assustadora felicidade eterna.

E não era indiferente ... só prudente.




DMS