"O telefone tocou, eu atendi, chamaram por mim. Em geral pergunto quem é porque nem sempre estou disposta a ser chateada. Mas dessa vez alguma coisa na voz, doce e tímida, me fez dizer que era eu mesma que estava ao telefone. Então a voz disse: "Quero que você seja feliz". Perguntei: "Quem é você?" Respondeu: "Alguém". Eu disse: "Mas eu quero saber quem você é para poder dizer o seu nome ao desejar que você seja feliz também." Mas foi inútil, ela não tinha sequer diante de mim a vontade de aparecer como pessoa que é. Era o anonimato completo." Clarice Lispector, in A descoberta do mundo


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