Às vezes fico pensando em como te alcançar. Mas será que pra te alcançar não é preciso alcançar a mim mesma?Dizer o que eu sinto é difícil. É doloroso ... e de uma inexatidão vasta e assustadora. Sentimentos que se misturam, confundem e atordoam. Mas que me deixam plena. Ora tudo tão claro, ora tudo tão obscuro. Por tantas vezes tão simples ... por outras quase indecifrável.
Guardar isso me deixa segura, só que paradoxalmente, me enfraquece. O meu castelo já ñ me parece tão impenetrável.
Essa incompreensão profunda, esse desejo de ser e ter, essa vontade de correr pros teus braços e me aninhar, brigam com a minha sensatez, a minha vontade de manter longe e de preservar o que noi fundo eu sei, já foi devastado e invadido.
Estruturas abaladas. Pernas bambas. Coração aos saltos... doce tortura. Querer ... querer ... querer.
A surpresa do sentir me desconcerta. As portas estavam fechadas.. e me deparo agora com a incontrolável vontade de abrí-las; mas diante da porta aberta, penso e questiono: vale o passo a frente? Esse passo a frente é o meu instigante desafio. E me assusto. O desconhecido me apavora.
Essa chuva, esse frio... aquela velha vontade de gritar, talvez um universo paralelo. Efêmero.
Fraca, forte, sempre cheia de dualidades. Dúvida. Você é a minha incerteza. Suspiro ... por mais uma vez tento organizar meus desconexos pensamentos.
O que importa agora? Eu sou feliz... você me faz feliz; isto me basta. E ñ é preciso entender porque. Entender o que se passa? Não. Já desisti. Só sentir. Não preciso de definições... eu só preciso libertar a mente e o coração inquietos.
Eu não quero sentir a dor ... não me entregar aos meus medos, me entregar aos meus medos significa me entregar a você. Isso é infundado. Eu só quero estar ao teu lado, sem cobranças ou expectativas. Sem pensar no dia de amanhã. Quero mãos dadas, pés entrelaçados e tardes infinitas. Eu quero a essência, o cheiro, o imperfeito. Eu quero o alcançável.
Me perco sempre entre meus pensamentos soltos. Palavras soltas. O mundo sem lógica. Minha falsa fortaleza ...
E quero me livrar das metáforas...
DMS - 20 de abril de 2006.


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