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"às vezes me pergunto onde foi que exatamente tudo se perdeu? onde nos perdemos? as brincadeiras, os sorrisos, a sinceridade, foi parar onde? arrisco dizer que éramos cúmplices, complementares mesmo, sabe? Talvez daqueles casais que jamais virariam casais, mas um casal onde existia um amor implícito, do tipo maior do mundo. é aquilo que a clarice dizia sobre "nao estarem distraídos", entende? não precisava de nome, nunca precisou... o que existia era tão sufuciente.
tem lembranças? da cintura, do enlaçar dos teus cabelos aos meus, do suor e gestos que só fazem parte da gente? e mais que isso, saudade e lembrança do que a gente já foi um dia, quando a gente não era um? falo de uma amizade tão bonita que morreu. dos papos sem pé nem cabeça, da troca de impressões e experiências. dos conselhos tortos. das gargalhadas e uma intelecualidade forçada.
mas e aí, cara? se perdeu onde? me explica porque eu preciso saber. preciso saber o que foi pra você, o que significou. se te fazia ficar com as pernas bambas como eu, se te fazia suar frio.
me sentia bestificada. sem pudor, sem vergonha, às vezes sem dignidade. nos braços que nunca foram realmente meus. foi meu em algum momento? nada mais pode me fazer mal. pode dizer a verdade, não vai doer mais do que já dói.
você veio e bateu na minha porta... se não era nada pra vc, por que fez isso? pegou na minha mão e me deixou acreditar que podia dar certo. dorme bem sabendo disso? você é pequeno, cara.
sabe de uma coisa? foda-se você. foda-se o nós que nunca existiu. vou lá embaixo tomar uma cerveja e fumar um cigarro e amanhã, de você só vai restar a lembrança de uma ressaca inútil. "


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