quinta-feira, agosto 23, 2007

"A gente sempre tende a achar que o que vive e o que sofre agora é maior do que tudo que viveu e sofreu anteriormente, por isso me acho no direito de dizer que acho mesmo que você me faz passar pela coisa mais dolorosa da vida.
Só que ainda assim me pego lembrando do teu cheiro e de como você amarra os cabelos. De como parava, nu, e me olhava. Das mordidas.
De todas as suposições. De tudo que poderia ter sido e não foi.
Do sofá, do colo, do cafuné, do brigadeiro. Das falas silenciosas.
Das promessas ridículas, subentendidas.
- vai sentir saudade?
Ah, eu sinto mais que isso, sinto tanto que nem sei quanto. Dói fundo, dói latente, ritmado, constante. De uma dor Buarquiana.
E penso, como queria ter te abraçado mais forte, ter dito no teu ouvido o que escondo até de mim mesma. De ter tido coragem pra viver uma grande amor efêmero e exposto. De ser leve.
Como queria mais noites intermináveis, e tempo parado.
O cheiro do teu suor misturado com cerveja, vinho, filme, paixão.
Porque assim, leve, solto, te quero.
Pra sempre, até amanhã, até pra sempre, mesmo que calado, mesmo que nunca te diga."